DOAR AGORA

Defesa de direitos e territórios é tema de encontro indígena regional

Defesa de direitos e territórios é tema de encontro indígena regional
20 de dezembro de 2018 zweiarts

A Terra Indígena (TI) de Mangueirinha, em Mangueirinha/PR, recebeu, durante três dias, delegações de diversos povos indígenas do sul do país para o II Acampamento Terra Livre (ATL) da região Sul. O encontro, que aconteceu do dia 17 ao 19 de dezembro, contou com a participação de cerca de 400 indígenas dos povos Kaingang, Xokleng, Guarani e Xetá e foi um momento para articulação e debate de importantes questões indígenas, como a defesa de direitos, conjuntura política, gestão territorial e ambiental, saúde e autonomia dos povos indígenas. O COMIN apoiou a participação de quase cem pessoas no encontro, entre elas lideranças Kaingang e grupos de danças Kaingang do Rio Grande do Sul.

Na quarta-feira (20) à tarde, ao final do evento, o grupo bloqueou a BR-373, próxima ao trevo de Mangueirinha, por cerca de duas horas. O ato fez parte da mobilização nacional que reivindicou a permanência da FUNAI no Ministério da Justiça. Também houve a produção de um documento público que foi encaminhado à FUNAI. De acordo com um dos organizadores da ATL da região sul deste ano, o cacique da TI Kandoia, de Faxinalzinho/RS, e uma das lideranças do movimento Kaingang no Rio Grande do Sul, Deoclides de Paula, esses movimentos são importantes para que os povos indígenas possam se organizar e brigar pela permanência de direitos conquistados, principalmente nesse momento de ataque aos povos indígenas. “Muitos indígenas tombaram pra gente ter a garantia de direitos na Constituição e não seremos nós que vamos deixar a luta dos nossos antepassados passar em branco”, afirmou. Apesar dos ataques que os povos indígenas vêm sofrendo, o cacique lembra que as comunidades indígenas não são contra o desenvolvimento brasileiro, apenas querem viver em suas terrar e com dignidade.

O cacique da TI Goj Veso, localizada em Iraí/RS, e também uma das lideranças do movimento Kaingang do Rio Grande do Sul, Isaías da Rosa, afirmou que o evento foi bastante produtivo e exaltou a oportunidade de fortalecimento dos indígenas como povo. Assim como Deoclides, Isaías ressaltou a preocupação de todas e todos com o novo governo que tomará posse a partir de 1º de janeiro e, por isso, “o momento é de unir forças por um objetivo só”.

Trabalho continuado

O Acampamento Terra Livre acontece, anualmente, em Brasília, durante o mês de abril. A partir da necessidade do movimento indígena se posicionar diante de um cenário crítico em que se torna recorrente diversos ataques aos coletivos e aos direitos indígenas, principalmente aos direitos territoriais, percebeu-se a demanda da realização de encontros regionais. Em 2017, a primeira edição do ATL da região Sul aconteceu na TI Goj Veso, em Iraí/RS.

Para o representante dos povos indígenas do Rio Grande do Sul no Conselho Nacional dos Povos Indígenas em Brasília e mestrando em Antropologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Douglas da Rosa, do povo Kaingang, apenas com a segurança fundiária dos povos indígenas, ou seja, a regularização de suas terras, é possível tratar de outros direitos que também estão garantidos constitucionalmente. Por isso, o evento desse ano deu continuidade ao que foi feito no ATL da região Sul do ano passado. Douglas acredita que a importância desses encontros se dá em reunir diferentes sujeitos indígenas e se pensar na construção da pessoa e cidadania indígenas, além da possibilidade de se repensar as estratégias de resistência aos diferentes ataques aos direitos indígenas que estão se desenhando no cenário atual.

Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this
AllEscort