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A “Rosa dos Ventos“ orienta professores Deni e Kanamari

A “Rosa dos Ventos“ orienta professores Deni e Kanamari
6 de janeiro de 2010 zweiarts

Nos dias 4 a 8 de dezembro de 2009 realizou-se mais um curso dos professores Deni e Kanamari na aldeia Deni Itaúba/rio Xeruã, município de Itamarati-AM. O curso foi ministrado pelo COMIN de Carauari-AM e teve o apoio da ONG Schulhilfswerk ARABRAS da Alemanha. Participaram do curso 26 professores titulares e suplentes das 4 aldeias Deni e das 3 aldeias Kanamari do rio Xeruã. Os cursos servem como complemento e reforço do curso do magistério indígena da SEDUC do Amazonas. O assessor prof. Nelson José Batista Lacerda, licenciado em Química Ambiental pela UFAM e especializado em Mudanças Climáticas pela Universidade Gama Filho ministrou as aulas de geografia e Walter Sass, do COMIN de Carauari, assumiu as aulas de matemática.

Os professores indígenas se direcionaram no início ao fim do curso ao criador do mundo Tamaku/Tamah pedindo a presença protetora dele no curso e na volta às aldeias lembrando-se dos seus mitos transmitidos pelos antepassados Deni e Kanamari. Os professores Deni e Kanamari ampliaram neste curso sua visão do mundo com o conhecimento de uma parte da ciência moderna.

Os indígenas sabem se orientar no seu mundo amazônico melhor do que qualquer não-indígena. Um indígena dificilmente se perde na imensa mata de sua região. Os professores indígenas sabem que o mundo globalizado exige o conhecimento da ciência moderna para se orientar, situar melhor no mundo e para defender a sua terra e sua cultura.

Os Deni traduziram para a sua própria língua a palavra geografia chamando de “shunu inavatude” e os Kanamari para “Homtsotekoknham”. No curso de geografia foram estudados os movimentos da terra, a translação, rotação e as visões dos povos antes das descobertas dos movimentos da terra. As constelações das estrelas foram traduzidas em imagens indígenas. O conteúdo principal foi o entendimento de mapas com as direções da “rosa dos ventos”, das linhas imaginárias, dos meridianos, paralelos, latitudes, longitudes, graus, escalas e legendas. Dedicou-se um tempo ao entendimento das diferentes escalas de mapas. No final do curso confeccionados mapas das áreas indígenas, das aldeias, da hidrografia, das áreas de caça e pesca do rio Xeruã com todos os elementos de um mapa completo.

O curso de matemática teve o seguinte conteúdo: Um olhar da matemática na história com o surgimento das frações no Egito, dos graus na Mesopotâmia e entrou-se no mundo atual com as frações com as quatros operações básicas no dia-a-dia dos povos indígenas.

O curso ajudou os professores a se prepararem melhor para o mapeamento dos lagos dentro do projeto de manejo de lagos como para os cálculos de preservação e comercialização dos pirarucus. Os professores perceberam que as duas disciplinas podem ser ferramentas para entender melhor as metas de defesa, preservação de suas terras e da diminuição da emissão de CO2 na atmosfera. Para reforçar o tema das mudanças climáticas foram lidas e discutidas as cartas de Manoel Daora Kanamari de 2009 sobre a poluição do mundo e do cacique Seattle para o atual presidente dos Estados Unidos.

O professor Ahe Joab Kanamari resumiu o curso de geografia e matemática assim: “Nós indígenas temos um próprio conhecimento de geografia e matemática. O conhecimento do não-indígena ajuda a adquirir mais conhecimento. Juntando os dois conhecimentos indígena e não indígena, nós indígenas temos mais sabedoria do que os não indígenas para preservar melhor a natureza.”

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