Nascida em 1974, na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, Sonia é do povo Guajajara/Tentehar, do bioma Amazônia. Filha de pai analfabeto e mãe analfabeta, aos 15 anos foi convidada para cursar o ensino médio em Minas Gerais. Depois, voltou ao Maranhão e, em 1991, formou-se em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e, em 2003, em Técnica de Enfermagem pela mesma instituição. Em 2005, fez pós-graduação em Educação Especial. É mãe de Luiz Mahkai, Yaponã e Y’wara.
Sonia foi conquistando espaço com a militância participando ativamente do movimento indígena: foi eleita coordenadora geral da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA), em 2003, vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), em 2009, e ocupou o cargo de coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), de 2013 a 2021.
Há mais de dez anos representa as e os parentes indígenas no Conselho de Direitos Humanos da ONU e leva alertas e denúncias às Conferências Mundiais do Clima (COP), ao Parlamento Europeu e outras instâncias internacionais, já tendo percorrido mais de 30 países.
Sua atuação na linha de frente contra projetos que retiram direitos e ameaçam os povos indígenas é reconhecida mundialmente. Em 2015, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, que premia personalidades brasileiras e estrangeiras por suas contribuições prestadas à cultura do país, e, em 2022, foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.
Sonia ingressou na política em 2018, quando foi a primeira indígena a compor uma chapa presidencial, ao lado de Guilherme Boulos, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), abrindo a discussão dentro do movimento indígena para a importância de ocupar a política. Não foi eleita, porém trouxe a pauta indígena e ambiental para o centro do debate político e prosseguiu ampliando a visibilidade e a incidência dos povos indígenas no Brasil.
Sua luta ao lado das mulheres indígenas também tem grande destaque. Em 2019, foi co-organizadora da primeira Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, evento que reuniu mais de 2 mil mulheres de diversos povos e de todas as regiões do país. Com a marcha e ao lado de outras lideranças indígenas mulheres, fundou a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).
Nas eleições de 2022, atendendo ao chamado da APIB, assumiu o compromisso de aldear a política brasileira, lançando, junto a outras candidaturas indígenas, sua campanha à deputada federal pelo estado de São Paulo, tornando-se a primeira deputada indígena eleita no estado e a indígena com a maior votação da história.
Após integrar o GT dos Povos Originários e ajudar a construir o relatório que mapeou as principais demandas e prioridades para os povos indígenas, Sonia foi convidada e nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministra do primeiro Ministério dos Povos Indígenas do Brasil. “Me sinto muito honrada e feliz com essa nomeação. Mais do que uma conquista pessoal, está é uma conquista dos povos indígenas do Brasil, um marco na nossa história de luta e resistência”, declara.