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Nossas vidas: Histórias de mulheres Karo Arara
FLD-COMIN
Título Original: Nossas vidas: Histórias de mulheres Karo Arara.
Categoria: Livros.
Idioma: Português.
Páginas: 98.
Editora: FLD-COMIN.

Este livro resulta de uma estreita relação de amizade, confiança e respeito entre a organizadora e as mulheres Karo Arara de Rondônia. Tal relação foi cimentada por anos de presença e atuação de Jandira Keppi, por meio do COMIN, junto a esse povo da Amazônia Meridional. Uma das maneiras com que essa instituição se fez presente foi promovendo encontros para trocas de saberes e experiências entre as karo arara e delas com mulheres de outras etnias. Dessa forma, essas mulheres que já tinham voz dentro de suas aldeias, passaram a se fazer ouvir de forma mais efetiva, não apenas entre seus parentes, mas entre os outros. As narrativas que leremos aqui são uma amostra dessas vozes.

Este trabalho descortina às leitoras e aos leitores um pouco do rico universo karo arara a partir do viés feminino. E essas mulheres têm muito a dizer. Suas falas ultrapassam as fronteiras do presente. Seus senti- mentos, sua relação com o passado, com a terra, com as roças, com a família e com o futuro estão aqui expostos de maneira corajosa. Narram sua vida e suas experiências com firmeza, mesmo que seja doloroso falar das violências que conheceram quando crianças e jovens ao se deparar com o mundo dos brancos, com os quais seu povo estabeleceu contato porque “não tinha para onde fugir”, como diz Maria Arara.

Contudo, para além das dores, suas narrativas celebram a vida. De suas falas emergem a intimidade com a terra em que cresceram, da qual foram afastadas e para a qual retornaram depois de lutar para recon- quistá-la. A relação com a terra, com as roças, garante a produção do alimento que faz crescer suas filhas e filhos e que promove a socialidade do povo.

A socialidade dos Karo Arara se dá em dois momentos distintos, mas inseparáveis. Realiza-se no cotidiano, por meio do cuidado com as roças, da atenção dedicada à criação dos filhos, da elaboração da comida, da confecção de artesanato e, mais recentemente, da frequência à escola; e se amplia nas festas, mo- mentos preferidos para concretizar casamentos, experienciar rituais de pajelança e viver momentos alegres.

As narrativas são acompanhadas do texto sensível e pertinente da antropóloga Júlia Otero, que viveu com os Karo Arara e teve especial convivência com as mulheres, com as quais aprendeu o significado de ser karo arara em meio aos brancos e aos desafios que hoje se impõem. Esses desafios implicam também cons- truir pessoas e socialidades por meio de outros instrumentos, a escola, o movimento indígena, a formação universitária, a profissionalização. É assim que essas mulheres cultivam a vida e tecem expectativas em relação ao que está por vir.

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