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Brasil, povos indígenas e Covid-19
05/05/2020 - Informes

Tradução de texto escrito para a Obra Missionária Evangélica Luterana na Baixa Saxônia (OMEL) (https://www.elm-mission.net/startseite/corona.html#c6787)

A pandemia da Covid-19 terá um impacto devastador sobre a população já tão vulnerável e discriminada. Líderes indígenas denunciam a insegurança alimentar e pedem por medidas necessárias, a fim de enfrentar a situação. O outono acabou de chegar no sul do país e as medidas a serem tomadas não devem considerar apenas o momento atual de isolamento, mas também a sobrevivência no próximo inverno. A solidariedade é valiosa nestes tempos. A sociedade não indígena é chamada a apoiar campanhas, que se voltam ao fortalecimento das comunidades indígenas, especialmente aquelas que experimentam a insegurança territorial e vivem em acampamentos na beira das estradas. Isso não significa que os órgãos competentes não devam se envolver. Bem pelo contrário, dos mesmos se espera, com urgência, que promovam cuidados de saúde e condições sanitárias para as comunidades indígenas, bem como disponibilizem alimentos agora e para o tempo depois da pandemia.

Com muito engajamento social foi realizada a campanha “Renda Básica Emergencial Já”. Também nós da FLD-COMIN-CAPA apoiamos esta campanha e buscamos por mais assinaturas. A campanha exige do governo um apoio financeiro mensal de R$ 300,00 para brasileiras e brasileiros com renda familiar menor de 3 salários mínimos durante 6 meses. Isso atinge 77 milhões de pessoas, inclusive crianças e pessoas idosas. Repassar essa renda básica deveria acontecer o mais rápido possível, para diminuir o sofrimento dessas pessoas.

A pandemia tem um enorme impacto sobre os direitos humanos, exatamente sobre os grupos sociais que, historicamente, não são percebidos, nem reconhecidos. Para manter a vida e controlar os efeitos da pandemia, países e governos necessitam tomar medidas rápidas e efetivas. No Brasil, o presidente age de forma irresponsável diante das medidas que são expedidas pela Organização Mundial da Saúde. Em nível regional e local, governadoras e governadores, prefeitas e prefeitos buscam estabelecer o necessário isolamento social.

Diversas organizações e grupos exigem que tudo o que é feito em relação à Covid-19 considere os direitos humanos; que o SUS seja preservado e fortalecido; que a crise não seja utilizada para violar direitos trabalhistas; que trabalhadoras e trabalhadores sejam priorizadas e priorizados, e não o mercado ou os bancos; que o Judiciário, com base em direitos humanos, evite despejos e promova a saúde e segurança da população de rua.

Eu finalizo este texto com a citação de um trecho da nota pública sobre Covid-19 emitida por FLD-COMIN-CAPA em 18 de março de 2020 (veja em https://fld.com.br/notas-publicas/2020/nota-covid-19/): “Diaconia é denúncia da insensatez e do desamor de lideranças políticas e religiosas fundamentalistas que optam pela ignorância e oportunismo em detrimento das políticas públicas e medidas imprescindíveis nesse cenário de riscos extremados.”

Vivamos e experimentemos, no cotidiano, a diaconia profética.

Pa. Renate Gierus

FLD-COMIN-CAPA