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Chegou o tempo de preparar a terra para receber as sementes tradicionais do povo Guarani
11/07/2019 - Informes

No litoral norte de Santa Catarina, as dez aldeias decidiram fazer três grandes roçados coletivos, com o objetivo de fortalecer o modo de ser tradicional e a produção das sementes tradicionais. Dois mutirões de roçados coletivos aconteceram nos dias 17 e 18 de junho, na aldeia Yvapuru, e nos dias 1º e 2 de julho, na aldeia Tarumã Mirim. Mais um roçado ainda será feito na aldeia Pindoty, ainda no mês de julho, todos na cidade de Araquari. As comunidades também buscarão sementes tradicionais em outras aldeias, visto que a demanda de plantio aumentou. 

As dez comunidades sempre plantaram suas sementes tradicionais nas suas aldeias, mas em pequena escala, apenas para manter as sementes e para uso ritual. Um dos motivos principais para isso é a falta de espaço, pois o processo de demarcação e homologação das terras indígenas não foi finalizado. Outro motivo é o número de pessoas: as aldeias que possuem mais espaço têm poucas pessoas. A decisão de fazer mutirões entre as dez aldeias busca, então, superar estas dificuldades e fortalecer os laços de reciprocidade e solidariedade entre elas.

No momento prático dos mutirões, os Xeramoi e as Xejaray'i vão ensinando técnicas milenares de adubação do solo e fortalecimento das sementes às pessoas mais jovens e muitos conhecimentos milenares garantem continuidade da prática por parte dessas e desses jovens. O momento da colheita também será coletivo, quando os frutos e as sementes serão partilhados e consagrados.

O COMIN é parceiro nestas ações, com o projeto trienal apoiado por Pão para o Mundo (PPM) que busca fortalecer a sustentabilidade territorial das comunidades.