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Em oficina sobre resistência indígena, discentes de Teologia refletem sobre a importância do diálogo intercultural
16/05/2019 - Informes

O que é resistência? Com esse questionamento, a assessora do COMIN Kassiane Schwingel deu início à oficina “Resistência indígena: profecia de novos tempos”, na manhã desta quinta-feira (16), em São Leopoldo (RS). A atividade fez parte da Semana Acadêmica do Bacharelado em Teologia da Faculdades Est – que tem como tema “Protagonismo profético através dos tempos”.

A oficina contou com a presença da indígena Kaingang Silvana Moreira Claudino. Silvana é da Terra Indígena Monte Caseros, localizada nos municípios Ibiraiaras e Muliterno (RS) e acadêmica do curso de Serviço Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Kaingang afirmou que muito daquilo que sabe sobre seu povo foi através do estudo. Por isso, para ela, conhecer a história dos povos indígenas é muito importante, já que o processo de colonização e imposição cultural acabou negando a esses povos sua forma própria de viver, seus costumes, rituais e crenças. Além disso, muitas pessoas indígenas mais velhas não falam sobre o passado, já que eram castigadas antigamente quando o faziam. “Fiquei chocada ao conhecer a história. Reproduzimos coisas que foram introduzidas na nossa cultura, que não faziam parte da cultura Kaingang em sua essência e muitas lideranças cultivam isso porque não sabem direito como surgiu”, disse. A estudante frisou que, de acordo com ela, “resistência foi ter força para existir em todo esse processo de colonização” e o que deseja é levar a história do seu povo ao conhecimento de todas e todos.

Quanto à presença indígena na universidade, Silvana afirmou que ocupar esses espaços é também um ato de resistência. “Vamos para a universidade proteger nossos povos e aprender a defendê-los”, ressaltou. Apesar de relatar que, diferente de muitos parentes que sofreram diretamente com o preconceito de colegas e professoras e professores, foi acolhida por sua turma, ela encontrou dificuldades principalmente por não ver contemplada a temática indígena em seu curso. Para ela, a universidade não se abre à diversidade, existindo “preconceitos e processos violentos que não deveriam estar ali”. No entanto, é “a presença de pessoas diferentes que muda esse espaço, mesmo que minimamente”, destacou. Em sua fala, Silvana tratou ainda de temas como maternidade indígena, escravidão e genocídio indígenas.

Antes da fala de Silvana, Kassiane apresentou às alunas e aos alunos de Teologia presentes na oficina o material da Semana dos Povos Indígenas 2019 do COMIN e, através dele, falou sobre os principais equívocos e preconceitos existentes em relação a esses povos. A assessora ressaltou a importância do diálogo intercultural entre indígenas e não indígenas, destacando que a causa indígena deve ser de todas e todos. Ao final, destacou o compromisso de se refletir sobre as ações que as e os estudantes têm na Teologia e em seus futuros locais de atuação quando se trata da presença indígena na sociedade.