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Kaingang graduado em nutrição e aprovado para o mestrado
20/01/2010 - Informes

Graduou-se em Nutrição, em 16 de janeiro, pela UNIJUI (Ijuí/RS), o kaingang Marcos Antonio Ribeiro, da Terra Indígena da Guarita. Para Marcos, 36 anos, "concluir a graduação é muito importante. É um sonho. Apesar das dificuldades, desafios, obstáculos, eu consegui. Mudou a minha vida". Conforme Marcos, ele é o único indígena formado em Nutrição no país.

Marcos A. Ribeiro também foi aprovado na seleção ao programa de Mestrado em Educação nas Ciências da UNIJUÍ, com proposta de prosseguir a pesquisa iniciada no trabalho de conclusão da graduação, sobre a história dos hábitos alimentares kaingang, especificamente na Terra Indígena Guarita. A pesquisa quer contribuir na revitalização de práticas alimentares kaingang e na reflexão sobre a inclusão da culinária tradicional kaingang no cardápio da merenda escolar.

As expectativas ainda são muitas, sou o primeiro nutricionista kaingang e sou o primeiro no mestrado na UNIJUI, isso também está pesando e me dando, porque não, muito orgulho, enquanto representante do povo kaingang nessa área. Como índio a gente enfrenta barreiras dentro e fora da universidade e se não for forte e persistente com certeza não fica. É claro que a partir de agora os desafios serão maiores, mas acredito que estou preparado para buscar mais conhecimento e adaptá-lo à nossa realidade. As armas agora são outras, porém a coragem ainda é a mesma do kaingang, afirma Marcos A. Ribeiro.

Marcos A. Ribeiro contribuiu em muitas atividades do COMIN na T.I. Guarita, onde residia, sobretudo na área da saúde. Contudo, para concluir o curso de nutrição precisou se transferir para Ijuí/RS, onde reside atualmente com sua família. Para sustentar o grupo familiar (casal e dois filhos), trabalha como empacotador num supermercado.

Apesar das conquistas Marcos busca apoio para cursar o programa de mestrado, uma vez que não foi qualificado às bolsas públicas da CNPQ/CAPES. Para me formar contei com o apoio de bolsa integral, pois sem a ajuda seria impossível. Bem, como pude contar sempre com o apoio pros meus estudos, acredito que eu não poderia para por aí, as oportunidades aparecem uma vez e a gente tem que agarrá-las e foi o que eu fiz. Assim, espero poder contar com alguma bolsa de auxílio por que sem ela ainda não será possível dar continuidade aos estudos, relata.

Marcos afirma que seu objetivo é contribuir com sua comunidade: O objetivo de qualquer índio que estuda é voltar para a comunidade. É o mínimo que posso fazer, não tenho outro pensamento.