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Livro sobre alimentação Karo Arara
14/06/2018 - Campos de trabalho

Não é só um livro de receitas. Histórias sobre a origem dos alimentos, os feitios dos roçados, agora e antigamente, as restrições alimentares durante o resguardo, a relação muito próxima com Totó New, que anda pela cozinha preparando macaloba (chicha) e se deixa revelar, estão relatadas aqui. 

O livro "Alimentação Karo Arara: Saberes e Práticas Karo at Wirikanã: mabexépkanã", disponibilizado no endereço http://comin.org.br/publicacoes/categoria/texto-busca/Karo+Arara/id//page/0, foi desenvolvido por mulheres, homens, pessoas idosas, crianças e jovens das aldeias Iterap e Paygap, da Terra Indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná (RO). Organizado pelo Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), em parceria com o Departamento de Educação Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Deinter/UNIR) e apoiado por Pão Para o Mundo – Áustria, revela o povo Karo Arara por meio das práticas da alimentação e sua lida com os roçados: fazer roças é a garantia da continuidade da vida e do mundo.

O povo Karo Arara foi quase dizimado, desde a época do contato (1940) até a década de 1980. Assim, sentem orgulho de terem vencido os desafios desta história e, como forma de continuidade da sua vida e da sua cultura, trazem suas experiências nas relações e entrelaçamentos com as pessoas, com Totó New (o Deus dos Karo Arara) e com o meio ambiente.

“A origem dos alimentos, os feitios dos roçados, agora e antigamente, as restrições alimentares durante o resguardo, a relação muito próxima com Totó New, que anda pela cozinha preparando macaloba (chicha) e se deixa revelar, estão relatadas aqui”, disse a assessora de projetos do COMIN, Jandira Keppi.  

A produção do livro durou quase dois anos, para acompanhar os momentos de cada estação (verão, outono, inverno e primavera). As receitas, anotadas inicialmente em português, foram produzidas coletivamente, por meio de encontros, oficinas de alimentação ou individualmente – “quando eu estava passando por uma casa e a mulher estava fazendo alguma comida tradicional, me chamava para fazer os registros”, conta Jandira. Houve todo um coletivo de mulheres envolvido com esse projeto. Decidiu-se dar autoria das receitas às 14 mulheres que estão no livro, mas o envolvimento de mulheres e homens foi mais amplo.

Por fim, os professores e professoras Karo Arara decidiram traduzi-lo para a língua materna, a fim de ser usado em sala de aula, mais para o exercício da escrita e da leitura na língua mãe, já que possuem pouco material didático específico.

SOBRE O POVO

Karo Arara

A sua população é composta de cerca de 366 pessoas, distribuídas em três aldeias principais (dados da SESAI de dezembro de 2017).

A Língua

A língua materna é do tronco linguístico Tupi, família Ramarama, sendo estes os únicos representantes desta família linguística no Brasil.

Componentes da alimentação

Os alimentos são aqueles vindos da roça, da caça, da pesca e da coleta na floresta. Na roça, os principais são: os milhos branco, roxo e amarelo, batata-doce, cará, mandioca. Caça: jacaré, porcão, tatu, paca, entre outros. Coleta na mata: castanha do Brasil, gongo, folha da sororoca, que é parte importante para assados na brasa. Os Karo Arara não usam nenhum tipo de agrotóxico nos seus roçados.

 

Foto: Rosimar Karo Arara, Luiza Karo Arara, Alzira Karo Arara e o cacique Firmino Karo Arara, apresentando a publicação no IV Encontro Nacional de Agroecologia, ocorrido entre 31 de maio e 03 de junho 2018, em Belo Horizonte/MG.