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Vivendo na Cidade: Indígenas discutem a realidade de viver em espaços urbanos
06/07/2010 - Informes

Um sábado ensolarado, como é habitual nessa época do ano em Rio Branco - AC, deu o tom para o I Encontro das Famílias Indígenas em Espaços Urbanos de Rio Branco. O encontro, realizado no dia 3 de julho de 2010, foi planejado por lideranças indígenas, contou com a assessoria e a parceria do COMIN (Conselho de Missão entre Índios) e do CIMI (Conselho Indigenista Missionário).

O encontro foi planejado com o objetivo de discutir políticas públicas para os indígenas que vivem em espaços urbanos. Em todo o território nacional, as populações indígenas, instituições parceiras e instituições governamentais ligadas aos povos indígenas estão despertando para a necessidade de assegurar direitos diferenciados aos povos indígenas que estão em espaços urbanos. Discutindo propostas de políticas públicas, as famílias indígenas de Rio Branco assumem o protagonismo e contribuem com propostas para serem viabilizadas pelos gestores municipais e estaduais.

As atividades começaram pela manhã com a apresentação de uma pesquisa que quantificou e possibilitou uma amostra da realidade das famílias indígenas em Rio Branco; pesquisa esta que foi realizada em 2009 por jovens indígenas em parceria com o CIMI e com o auxílio do COMIN. A pausa para o almoço foi um momento de confraternização para o qual muitos indígenas contribuíram preparando os alimentos, um churrasco acompanhado de mandioca, arroz e farofa.

Durante a tarde, os indígenas reuniram-se em plenária e em grupos para discutir e chegar a algumas propostas a serem encaminhadas ao poder público. No transcorrer dos debates, fizeram questão de frisar que o movimento indígena da região não havia discutido até então essa problemática por causa da tendência nacional de vincular os povos indígenas ao espaço das áreas indígenas fora dos espaços urbanos. Afirmaram que é um preconceito não reconhecer o direito dos indígenas de viverem em espaços urbanos e reconheceram que o próprio movimento incorporou esse preconceito em seus discursos.

Confirmando a necessidade de discutir políticas públicas para os indígenas em espaços urbanos - uma vez que muitas famílias não têm a intenção ou não podem regressar devido a conflitos - a tonalidade da discussão permaneceu em torno de assegurar o direito e as condições para que os indígenas possam viver bem em todos os espaços. Assim, para os indígenas de Rio Branco, as políticas devem ser aplicadas tanto para acolher as famílias que chegam à cidade quanto para combaterem as causas da migração, quando estas forem forçadas, seja por violência ou por falta de condições de educação, saúde e ou alternativas econômicas.