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Interação entre crianças e jovens
22/07/2010 - Informes

No dia primeiro de julho, as famílias, especialmente, as crianças indígenas Kaingang da Aldeia Por fi, em São Leopoldo, receberam a visita de jovens estudantes do Curso Normal do Instituto de Educação Ivoti - RS. Nas brincadeiras, nos diálogos e no almoço conjunto, aprendizagens e elos significativos foram construídos.

No encontro entre diferentes culturas e na liberdade do espaço aberto, várias brincadeiras e brinquedos, construídos com sucata, foram experimentados. Carregadas no colo, engatinhando, pulando e correndo, as crianças, de várias idades, e os jovens interagiram com muita alegria. Brincaram num ambiente de possibilidades de escolhas, trocas, e, assim, trançaram aproximações.

Além das brincadeiras, o grupo visitante comeu o "Ëmi", pão típico do povo Kaingang, assado na brasa. Conheceram o preparo do mesmo, feito com muita dedicação, pelas mães indígenas.

Durante toda a manhã apreciaram o artesanato Kaingang. Num gesto de consideração, as famílias estavam ali, pelo pátio, abertas para o diálogo e mostrando traços da sua cultura através da exposição do artesanato, feito por elas, com cipós, taquaras e sementes.

A possibilidade para o grupo visitante aprofundar conhecimentos e reconstruir conceitos, enquanto futuros/as educadores e educadoras aconteceu, ainda, durante a fala das lideranças, especialmente, do professor indígena Dorvalino Cardoso. Sua reflexão fundamentou-se nos saberes tradicionais do povo Kaingang. Falou sobre a importância de considerar diferentes línguas e linguagens na alfabetização das crianças. Ressaltou que a escola precisa considerar a língua sagrada, a língua mãe, da criança. Comentou que as crianças Kaingang ali presentes, têm uma língua sagrada: a língua Kaingang. A memória, a lógica e toda a estrutura do pensamento é construída a partir desta língua. A criança vê o mundo e age nele a partir disso. Porém, esta questão tão fundamental normalmente não é considerada quando a criança indígena estuda em escola ou com professor não-indígenas. Além deste aspecto, o professor Dorvalino apontou para a importância do educador e da educadora incluírem e valorizarem as diversas linguagens da natureza no processo de construção da leitura e da escrita. Disse ele: "A natureza fala. Os diversos elementos da natureza falam o tempo todo. Fazem isto através de diferentes linguagens e diferentes mensagens. Porém, a sociedade nacional está voltada e fechada para a tecnologia. Pouco compreende e praticamente não ouve a natureza. As propostas e práticas de alfabetização estão confusas. Elas, na sua maioria, objetivam preparar sujeitos para as empresas e o consumo. Maltratam as crianças e na prática não incluem a diversidade cultural".

Por fim, foram planejadas ainda outras ações conjuntas, buscando concretizar, ainda mais, a reciprocidade na diversidade!