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A Campanha da Fraternidade Ecumênica e os Povos Indígenas
26/03/2016 - Institucional

Na Quaresma, a fala do profeta Amós “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, acompanha-nos na Campanha de Fraternidade Ecumênica 2016.

Como nós vivemos na nossa casa comum? Como nós nos responsabilizamos para que todos os seres-humanos, animais, plantas, árvores, rios, toda a criação em sua diversidade maravilhosa, possam aproveitar seus direitos?

Isso também é uma pergunta que os povos indígenas colocam para a sociedade brasileira.

No caderno para a Semana dos Povos Indígenas de 2016 Laklãnõ/Xokleng - O povo que caminha em direção ao sol, do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), estas perguntas são apresentadas em dois momentos, que refletem dois dias da Semana Santa: a Sexta-Feira Santa e a Páscoa. O momento da ausência de luz e o da esperança são representados pelo poema de João Adão Nunc-nfoônro de Almeida, intitulado Saudade.

 

Saudade do índio, sentando no chão,

Em volta do fogo, comendo pinhão.

Saudade do cântico, que o kujá cantava,

E de todo povo, que alegre dançava.

 

Saudade da mata, por onde andavam,

Saudade da caça, que a todos tratavam.

Saudade do mõg, que o índio bebia,

Saudades das festas, tudo era alegria.

 

Saudade do fogo, que o índio acendia,

Saudade das danças, grande era a alegria.

Saudade do rio, onde as crianças nadavam,

Saudade dos peixes que os índios alimentavam.

 

Saudade das festas, e dos casamentos,

Sempre em luas cheias, era um grande evento.

Saudade de tudo, que o índio usava,

E a tradição sempre continuava.

 

Saudade da terra, que foi invadida,

Saudade da mata, que foi destruída.

Saudade da relva, que o fogo queimou,

Saudade de tudo que o tempo apagou.

 

Saudade do ouro e do pau brasil,

Saudade de tudo, que daqui sumiu.

Saudade do índio que o branco matou,

Com esta Saudade para o túmulo vou.

 

A Páscoa não nos deixa no túmulo. Ela nos abre para um outro mundo possível: onde as forças da morte não vencem, mas onde o direito brota como fonte e onde a justiça corre como um riacho que não seca.

O povo Laklãnõ/Xokleng também nos oferece um exemplo da esperança nas suas comunidades: o renascimento da consciência da sua cultura, língua, espiritualidade. Eles levam as pessoas não indígenas na Mata Atlântica, mostram a biodiversidade e ensinam sobre a sua cultura. No encontro e no diálogo, eles mostram que não são como “aquele indígena retratado em livros e programas de televisão, mas o indígena real, que tem sua língua, tem voz, tem sonhos, alegrias e tristezas; tem sabedoria, tem vida e que é Laklãnõ/Xokleng.” 

Desde o ensino sobre a sua cultura, os Laklãnõ/Xokleng oferecem o olhar para uma maneira diferente de viver e de cuidar da nossa casa comum.

Acesse o Caderno da Semana dos Povos Indígenas: http://comin.org.br/publicacoes/interna/id/104