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Povos indígenas presentes no CONGRENAJE e FEST’ART
08/08/2014 - Institucional

Com muita alegria representantes dos povos Arara, de Rondônia, e Kaingang, do Rio Grande do Sul, participaram do Congresso Nacional da Juventude (Congrenaje), ocorrido entre os dias 20 a 25 de julho, em Espigão do Oeste, Rondônia. A interação com os/as jovens luteranos/as foi uma surpresa agradável para esses povos.

Com a coordenação de assessores e assessora do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), Sandro Luckmann, Walter Sass e Jandira Keppi, e a estudante de teologia Sabrina Senger, os representantes dos povos Arara e Kaingang ministraram as oficinas sobre povos indígenas, que aconteceram nas tardes dos dias 21 e 22 de julho. As oficinas ocorreram com a participação aproximada de cem jovens, nas duas tardes. As conversas entre os indígenas e os/as jovens oportunizaram ao povo Arara e ao povo Kaingang a exposição de suas realidades socioculturais, linguísticas, territoriais e sobre a política indigenista. Os/As jovens luteranos/as também fizeram perguntas e colocações das mais variadas, mas que demonstravam um profundo respeito por esses povos. No final, um ritual Arara, dançado por todos e todas, coroou o encerramento de cada oficina.

Os indígenas destacaram a importância desse tipo de evento para uma maior interação com os não-indígenas. Para eles é importante o contato pessoal. Isso favorece uma relação mais próxima com os não indígenas, quebra preconceitos e estimula o conhecimento e o diálogo sobre a diversidade cultural e linguística do nosso país, tanto em relação aos povos indígenas como em relação a outros grupos étnicos, existentes também no âmbito da IECLB. Inclusive houve, nas oficinas, a participação de jovens da Bolívia e da Alemanha, que estavam no Congrenaje e Fest’art. Essa diversidade e intercâmbio devem ser vistos como nossa riqueza e assim valorizados pela Igreja e por toda a sociedade.

Além das oficinas, os/as jovens puderam conhecer o artesanato produzido pelas mulheres Arara. A venda desses produtos foi surpreendente. Trata-se, na verdade, de um público diferenciado, que valoriza produtos artesanais, que quer ter um contato pessoal com os/as expositores/as e que pergunta pela história do povo, que aparece em cada peça artesanal. Além disso, muitos/as jovens luteranos/as puderam ser “tatuados” com tintura de jenipapo, feito por jovens Arara, além de outras tinturas feitas pelo jovem Kaingang.

Uma tenda foi montada pelo PROASA (Projeto de Agroecologia do Sínodo da Amazônia) e COMIN, com exposição de banners, fotos e materiais didáticos, que possibilitaram aos/às jovens maiores conhecimentos sobre os povos indígenas e a agroecologia.

Paralelo ao Congrenaje também se oportunizou um momento de intercâmbio entre representantes Kaingang e Arara, que assessoraram as oficinas, através da visita do jovem Kaingang à comunidade Arara do Pajgap, na Terra Indígena Igarapé Lourdes, município de Ji-Paraná/RO. Apesar de breve, houve intercâmbio de saberes e realidades entre a comunidade indígena do norte e do sul do Brasil. A visita entre Kaingang e Arara despertou o interesse em dar continuidade ao intercâmbio, de acordo a possibilidades futuras.

O sentimento que ficou para os Arara, para o jovem Kaingang e para nós do COMIN é de alegria e satisfação por termos participado desse evento e do diálogo intercultural entre Kaingang, Arara e jovens luteranos e luteranas.

Jandira Keppi-COMIN/Projeto de Assessoria a Povos Indígenas de Rondônia.

Sandro Luckmann - COMIN/ASKAGUARU-ESOI.