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Estudantes indígenas pedem maior diálogo das instituições de ensino em seminário na UFRGS
29/03/2019 - Informes

Com o objetivo de debater o importante papel das acadêmicas e dos acadêmicos indígenas no processo de inclusão da diversidade na universidade, promoveu-se, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nos dias 19, 20 e 21 deste mês, o seminário “Vozes Originárias dentro e fora da Universidade”. O evento, que teve o apoio do COMIN, dentre outras instituições, foi organizado por estudantes das etnias Kaingang e Mbyá Guarani da instituição e destinado a indígenas e à comunidade universitária em geral.

Nos dois primeiros dias, o seminário foi programado apenas para estudantes indígenas. Divididos em etnias, as acadêmicas e os acadêmicos se reuniram em rodas de conversas para discutir suas inquietudes, demandas e fazer avaliações quanto ao seu papel enquanto interlocutoras e interlocutores entre a universidade e suas comunidades e a luta por espaços institucionais de diálogo simétrico.

No terceiro dia, houve uma plenária voltada ao público em geral e que integrou convidadas e convidados e representantes institucionais da UFRGS e de outras instituições com atribuições de políticas especiais aos povos indígenas. A acadêmica de Pedagogia, Ivanilde da Silva, fez uma fala sobre a troca de experiência e saberes entre estudantes indígenas do Ensino Superior do México e do Brasil, relatando sua visita àquele país. De acordo com ela, há muitos depoimentos de preconceitos em sala de aula vividos por estudantes indígenas mexicanos. Além disso, não há nenhum tipo de benefício para indígenas nas universidades em que ela esteve.

Após o relato de Ivanilde, as acadêmicos e os acadêmicos indígenas presentes expuseram o que foi debatido entre elas e eles nos dias anteriores. Também houve fala de lideranças indígenas presentes. Entre os principais pontos, estiveram a reflexão sobre o papel da instituição de ensino em relação aos povos indígenas, seu ingresso e permanência na universidade e a necessidade de se ocupar o espaço universitário, visto que há poucas e poucos discentes indígenas. Um questionamento levantando foi “quem deve se adaptar: a universidade aos povos indígenas ou os povos à universidade”. A partir disso, as e os estudantes indígenas pediram diálogo mais direto com a UFRGS, respeito aos seus aspectos culturais e que a universidade tenha um olhar mais humano para conhecer os povos indígenas e suas limitações, afinal os povos são diferentes e, por isso, possuem realidade diversas e jeitos diferenciados de aprender.