CAMPOS DE TRABALHO
Região Central da Rondônia

Povos:

Em Rondônia, o trabalho do COMIN se dá a partir de Ji-Paraná, município situado na região central do estado – ocupando uma posição geográfica que facilita o acesso terrestre à maior parte das Terras Indígenas de Rondônia.

A primeira referência do atual trabalho do COMIN é com o povo Karo Arara da Terra Indígena Igarapé Lourdes, localizada na parte mais a oeste da TI, cerca de 70 km da sede do município de Ji-Paraná. O povo Karo Arara possui uma população de 366 pessoas, dividido em três aldeias principais: Paygap, Três Irmãos e Iterap. São falantes da língua Tupi Ramarama, mas também são bilíngues, inclusive as mulheres e crianças, utilizando o português para a comunicação com outros povos ou com não indígenas. Preservam bastante a sua cultura tradicional, valorizam seus pajés e suas festas tradicionais, como a Festa do Jacaré.

Na TI Igarapé Lourdes, na parte sul e central, mora o povo Ikólóéhj/Gavião, com uma população de mais de 800 pessoas, divididas em 22 aldeias. São falantes das línguas Tupi-mondé e português. No entanto, algumas pessoas desse povo, principalmente mulheres e homens mais idosos, têm dificuldade de falar o português.

 

Histórico:

Originalmente, os povos Karo Arara e Ikólóéhj Gavião não viviam na mesma terra. O povo Karo Arara sempre morou na região da TI Igarapé Lourdes e em quase toda a região de Ji-Paraná. Com a colonização, esse povo foi duramente atingido por doenças e, em 1976, quando suas terras foram demarcadas, só havia 95 pessoas vivendo nelas. Já o povo Ikólóéhj Gavião ocupava tradicionalmente as margens do Rio Branco, ao norte da TI Igarapé Lourdes, localizado no atual estado do Mato Grosso. No tempo da colonização, nas décadas de 1960 e 1970, esse povo foi expulso de suas terras por fazendeiras e fazendeiros, e foi acolhido pelo povo Karo Arara apesar de, no passado, terem vivido conflitos interétnicos. Atualmente, a relação entre os dois povos é amistosa e ambos reivindicam suas terras tradicionais perdidas, além de defenderem seus direitos e ficarem alertas às invasões. Por terem línguas diferentes, a comunicação entre eles se dá em português.

A TI Igarapé Lourdes já sofreu várias invasões. Na década de 80, havia mais de 350 famílias de agricultoras e agricultores dentro de sua área. Em 1983, os povos Karo Arara e Ikólóéhj Gavião barraram a construção de uma hidrelétrica no Rio Machado, pois, se construída, alagaria grande parte da TI, causando fortes impactos nas suas vidas. Atualmente, apesar de desintrusada, a TI ainda sofre a ameaça de construção da barragem, de madeireiras e madeireiros e da entrada de gado pelo Mato Grosso e, por isso, os povos buscam manter-se informados e unidos.

 

Áreas de atuação:

O COMIN iniciou seu trabalho com os povos Karo Arara e Ikólóéhj Gavião no segundo semestre de 2005 e, a partir de 2010, a atuação se deu mais com o povo Karo Arara, tendo por objetivo a formação e informação na área dos direitos indígenas, o apoio à organização própria, à educação específica e diferenciada, ao controle social nas políticas públicas e às questões de etnosustentabilidade. Para isso, contribui apoiando sua organização através de assessoria a reuniões e assembleias indígenas, discussões sobre a política indigenista nas aldeias, formas de participação e intervenção nas políticas públicas, formação e regularização de associações indígenas e apoio na discussão e resistência contra a construção da barragem no Rio Machado. Realiza oficinas e discussões práticas sobre direitos indígenas, para que as comunidades conheçam seus direitos e saibam como exercê-los ou quando são violados, além de trabalhar junto com elas refletindo sobre o uso dos recursos ambientais de suas terras de modo sustentável, contribuindo com pequenas iniciativas de etnosustentabilidade das aldeias.

Embora a ênfase do trabalho seja com o povo Karo Arara, o COMIN atua também com outros povos, organizações e movimentos, inclusive com o povo Ikólóéhj Gavião, prestando assessoria jurídica e política e apoio principalmente na defesa de seus direitos e na articulação para definição de políticas públicas, e também promove o diálogo intercultural com a sociedade não indígena no âmbito do Sínodo da Amazônia/IECLB, em espaços escolares e em outros fóruns, para uma maior aproximação e respeito aos povos indígenas.

 

Equipe:

Assessora: Jandira Keppi (pastora e advogada)

                   E-mail: jandirakeppi@hotmail.com

                   Telefone: (69) 99974-3519

                   Ji-Paraná/RO

PROJETOSver todos