CAMPOS DE TRABALHO
Região Acre e Sul do Amazonas

Povos:

O foco de ação do COMIN no Acre e sul do Amazonas é com o povo Apurinã. As mulheres e os homens Apurinã vivem nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. No Acre, a maioria vive em bairros na cidade de Rio Branco; no Amazonas, estão localizadas e localizados ao longo do rio Purus e seus afluentes, na bacia do Madeira e no Alto Solimões, tendo a maior parte de suas terras banhadas por grandes rios ou igarapés; enquanto que, em Rondônia, vivem na TI Roosevelt. O povo Apurinã se autodenomina Pupỹkary (homem) ou Pupỹkaro (mulher) e estão divididos em dois clãs: Xuapurunery e Metumanety. A língua Apurinã pertence à família Aruák, tropo Maipuri, e é um bem muito precioso, pois engloba seus mitos, crenças e formas de contar, dançar, sentir e viver sua cultura. No entanto, entre as e os Apurinã existe um número reduzido de falantes fluentes da língua e o bilinguismo é uma característica marcante atualmente, sendo o português a primeira língua na maioria das comunidades.

O COMIN atua nos municípios de Rio Branco, no Acre, e Boca do Acre e Pauini, no Amazonas, mais diretamente nas Terras Indígenas Peneri/Tacaquiri, Água Preta/Inari, Catipari/Mamoriá, Kapyra/Kanakury, Seruini/Marienê, Tumiã, Baixo Seruini e Sãkoã/Santa Vitoria (Pauini) e Camikuã (Boca do Acre).

 

Histórico:

A história de contato dos Apurinã com as e os não indígenas foi extremamente violenta. O processo de colonização se deu entre as décadas de 1930 e 1940 no período do ciclo da borracha, durante o qual muitas e muitos indígenas foram escravizadas e escravizados e até mesmo assassinadas e assassinados, tendo seus territórios invadidos para a formação dos seringais. Na década de 1980, o povo Apurinã se junta aos movimentos indígenas que foram surgindo pela garantia e demarcação de terras – invadidas agora também pelas e pelos sulistas que chegavam principalmente do Paraná e Rio Grande do Sul –, a fim de se fixar na região Amazônica. Apesar de haver muitas conquistas para os povos nessa época, através da demarcação de terras, a região ainda hoje é caracterizada por invasões de TIs demarcadas e não demarcadas o que, consequentemente, gera muita insegurança e incerteza. Também existe uma forte ação de madeireiras e madeireiros, fazendeiras e fazendeiros e narcotraficantes que invadem as TIs e, muitas vezes, ameaçam comunidades e lideranças, inclusive de morte.

 

Áreas de atuação:

As ações junto ao povo Apurinã visam a revitalização da cultura e da identidade indígenas, entendidas como condições sine qua non para que as comunidades possam desenvolver resposta e resiliência frente às crescentes pressões e influências externas. O COMIN tem contribuído com o povo Apurinã com ações pautadas na educação, saúde e etno-sustentabilidade, enfatizando de forma mais específica o campo das políticas linguísticas e educacionais. Isso ocorre a partir da qualificação do ensino da sua língua materna – o que é um desejo dos próprios indígenas –, com enfoque na preparação pedagógica das professoras e dos professores atuantes nas escolas indígenas, através de oficinas linguístico-pedagógicas anuais, o que possibilita que indígenas que não falam a língua Apurinã, principalmente as professores e os professores, sejam alfabetizadas e alfabetizados na língua materna e aquelas e aqueles que sejam falantes da língua tenham domínio sobre a escrita e gramática da mesma.

Outra atuação do COMIN é na promoção do protagonismo cultural e comunitário das mulheres Apurinã, através da realização de oficinas de cerâmica e cestaria – esta última envolvendo também homens –, o que fortalece a autoestima e liderança, além de ser uma fonte complementar de renda para a família. Há enfoque ainda na revitalização das festas tradicionais Kyynyry do povo Apurinã, assim como da casa tradicional Apurinã Ayko. O estudo e uso da língua e a consequente revitalização das tradições Apurinã também são formas de fortalecer as práticas culturais dos antepassados desse povo entre os mais jovens.

 

Equipe:

Assessora: Ana Patrícia Chaves Ferreira (pedagoga e linguista)

                   E-mail: patiraferreira@gmail.com

                   Telefone: (68) 98120-5003

                   Rio Branco/AC

 

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