CAMPOS DE TRABALHO
ACRE E SUL DO AMAZONAS

PADESSI, Assessoria Acre e Sul do Amazonas

O programa PADESSI, Assessoria Acre e Sul do Amazonas, tem seu foco de ação com o povo Apurinã. O trabalho segue em vista da autodeterminação e autonomia dos povos indígenas. Nesse sentido, junto com as comunidades indígenas e seus representantes e em assessoria a órgãos co-responsáveis por lei, a Assessoria visa estabelecer e ou fortalecer iniciativas que garantam a autodeterminação do povo Apurinã, em prol da sua sobrevivência física e cultural.

Quem são os Apurinã

Os Apurinã se autodenominam Pupykary  A palavra Kãkyte que significa gente, é usada às vezes, mas tem uma conotação genérica em oposição aos animais e demais seres, portanto pode ser qualquer tipo de gente. Alguns Apurinã ainda trazem como autodenominação a palavra kuwarinery

Segundo dados da FUNASA 2010, a população Apurinã, gira em torno de 7 mil pessoas. Eles dividem-se em dois clãs, Xuapurunery e Metumanety. A linhagem é passada de pai para os filhos e o casamento correto ocorre entre esses dois clãs. Cada grupo tem suas restrições alimentares. Os Xuapurunery não comem o inhambu-relógio e o inhambu-macucau. Os Metumanety não comem caititu[1]. Além da divisão em clãs, os Apurinã também se subdividem em grupos familiares designados por um animal, como por exemplo: kyryakury (grupo do rato), exuwakury

O COMIN Assessoria Acre Sul do Amazonas tem contribuído com o povo Apurinã dos municípios de Boca do Acre e Pauini no Estado do Amazonas com ações pautadas na  educação, saúde, e etno-sustentabilida, mas tem trabalhado de forma bem especifica no campo da educação escolar indígena, tendo como objetivo assessorar a educação escolar indígena Apurinã para que de fato possa ser na prática uma educação diferenciada conforme assegura a Constituição Federal, na especificidade dessa educação diferenciada. Em vista disso, tem preocupação com a revitalização da língua que é um desejo dos próprios indígenas, como expressos em muitas ocasiões.

A língua apurinã e sua situação sociolinguistica   

A  língua apurinã, segundo Facundes ( 2000), pertence a família Maipure, ou Aruák. Entre o povo Apurinã existe um número reduzido de  falantes fluentes da língua apurinã com diferentes graus de competências, e com um domínio da escrita que encontrasse em via de formação.

Percebido e entendido entre os Apurinã, o bilinguismo é uma caracteristica marcante atualmente, tendo o português como língua principal na maioria das comunidades, ou seja, como primeira língua, mas também em outras comunidades se tem a língua apurinã como primeria língua sendo essa então a língua que melhor dominam.Todavia algumas comunidades possuem graus de bilinguismos em maior ou menos escala, resultado de vários fatores,pois o contexto de atrito linguistico em que se encontra o povo apurinã consistemente tem provocado perda linguistica para algumas comunidades, que é percptível de diversas formas.Esse processo de fragilização linguística  dentre muitos fatores,está associada a um conjunto maior de disputa entre a sociedade envolvente e a sociedade Apurinã que se caracteriza como : disputa pela terra, por mão-de-obra barata, pelos recursos naturias, pelos conhecimentos ancestrais e outros.Nesse contexto, uma combinação de fatores não-linguisticos e linguisticos reforça a situação no caso apurinã. Todavia, a cultura Apurinã é o conjunto de respostas ás experiências  e desafios pelas quais esse povo vive, sua língua, bem como sua cultura vão sendo moldados ao longo do tempo.

A fragilização da língua Apurinã  passa por um processo gradual, causado por um conjunto de fatores que se pode prever, ou seja, ao invés de uma morte imediata da língua, a assimilação de sua língua e cultura pela sociedade envolvente infelizmente se faz de forma involutária e violenta, ter ou não ter contato com a sociedade envolvente , falar ou não falar o português é um comportamento que não depende mais dos Apurinã, uma vez que o contato com a sociedade envolvente é importante para a própria existência do povo Apurinã.

A revitalização da língua apurinã para o Programa PADESSI tem como objetivo assegurar ações mais concretas e pontuais com realizações de oficinas linguísticas pedagógicas, oficinas de cerâmicas, cestarias e outras, todas com a finalidade de fazer revitalizar a língua materna, tendo em vista que para os apurinã sua língua, engloba toda o mundo que o rodeia, seus mitos, culturas, danças, crenças, pajelanças, seu cultivo do roçado, pescaria,  para eles sua língua é sua vida.

  

Informações Gerais

Assessoria Povos Indígenas Acre e Sul Amazonas

Obreira
Pedagoga e Linguista Ana Patrícia Chaves Ferreira

 

Endereço
Rua São Judas Tadeu , 52
Conjunto Universitário
69917-696        Rio Branco /AC
Tel.: (68) 32295774
E-mail: ana-patira@bol.com.br

Povos
Apurinã do Médio Purus e outros

Áreas de atuação: Educação escolar indígena, revitalização da cultura e linguística



[1] Cf. SCHIEL, Juliana. Tronco Velho: Histórias apurinã. Tese de doutoramento. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2004. p. 62.

 

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